Entrevista: Papelaria Tête-à-Tête



Continuando a série de matérias sobre design artesanal – que começamos na semana passada –, entrevistamos a Brunella Simões, idealizadora da Papelaria Tête-à-Tête. O nome vem do francês, mas a expressão é bastante conhecida por nós. Ela comenta que um tête-à-tête significa, a grosso modo, ter uma conversa cara a cara, por isso, acredita ser a tradução perfeita para o que acontece quando se está ali, com seu caderno. “A pessoa tem uma conversa com ela mesma, se expressando em forma de desenho, poesia ou qualquer outra coisa”, afirma.

Além de cuidar dos caderninhos e postais que compõem a sua marca craft, ela ainda conduz, em parceria com a designer Lys Freire, o blog de moda e beleza Não Resisto. Como se não fosse o bastante, Brunella estende a sua habilidade manual para as agulhadas de sua máquina elétrica: a moça é tatuadora e vai nos detalhar as diferenças e semelhanças entre seus trabalhos, sempre de caráter handmade.




Como surgiu a papelaria e qual a ligação da logo com a marca?

O interesse por trabalhos manuais sempre existiu e sempre foi exercido, mas a aproximação com a ideologia handmade surgiu na época em que morei em Amsterdam. Lá, incentivada pelo namorado, que é designer gráfico, comecei a trabalhar em um caderno pra uso próprio e o interesse pela busca de técnicas aumentou. Quando ganhei alguns livros sobre bookbinding, tive a certeza que investiria nisso quando voltasse para o Brasil. Isso aconteceu no início de 2010, quando comecei a fase de testes e produção. Em março nasceu a papelaria!

A logo não tem uma ligação direta com o nome, mas tem um peso sentimental importante, por ser o sketch do primeiro card da papelaria. Gostei tanto do rabisco que decidi usá-lo do jeito que saiu.

Por favor, descreva o seu processo criativo. Em que se inspira para criar os cadernos e postais?
Meu processo criativo é bem livre. Nada aqui é engessado. A cada dia descubro novas e melhores formas de trabalhar, além de outras fontes de inspiração. Sites e meu gosto pessoal me influenciam muito. Por isso, estou sempre buscando agregar novas influências pra que o trabalho não fique só com a minha cara, e sim de acordo com o perfil dos meus clientes. A busca por novas estampas é sempre uma diversão e é geralmente nessa hora que novas ideias surgem! Também adoro toy art e me inspiro muito nisso pra criar os cards personalizados.

A profissão de tatuadora e a confecção dos cadernos possuem em comum o fato de serem minuciosos e artesanais. Esses dois processos interferem entre si? Há uma influência recíproca entre seus dois trabalhos?
O bom de ter essas duas profissões é que em cada uma delas, posso exercer a criatividade de uma forma diferente. Nas duas é necessário muita prática, zelo e habilidade e nisso, sem dúvida, há uma influência recíproca. Como tatuadora, me dedico muito ao desenho e como crafiteira, me concentro em técnicas e imaginação criativa. Gosto muito desses dois lados, e por isso não conseguiria optar por apenas uma das profissões!

Temos vivenciado o surgimento de diversos produtores com trabalhos de característica manual reforçada. A que você atribui esse movimento?
Uma grande movimentação está acontecendo sim em torno de trabalhos manuais. Tanto no crescimento de apreciadores e consumidores desses produtos como no de produtores que se se dedicam a isso. E acho que isso acontece porque o princípio básico do handmade é muito feliz para os dois lados. Quem cria, adora ter a possibilidade de oferecer algo único, feito com todo carinho e cuidado, e quem compra se sente especial por adquirir um produto "one of a kind", tão único e pessoal.





Serviço Tête-à-Tête:
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Calorias Gráficas



Segunda é o dia internacional do começo de dieta. Mesmo que não dure 24 horas, que tal começar cortando as calorias por completo? Calma, não se trata de uma campanha pró-anorexia. Nesse caso, durante a refeição, acontece uma troca de sentidos. O paladar cede espaço para a visão.

Assim são os alimentos construídos pelo coletivo francês Paper Donut, que trabalha com volumes geométricos desenvolvidos a partir de papel. A série chamada de Curious Breakfest é um verdadeiro banquete para se comer com o olhos.





Imagens: reprodução

Tipo de Jogo



O final de semana chegou e um ótimo passatempo para os aficionados por fontes é esse jogo da memória tipográfico. Desenvolvido pela ps.2 arquitetura+design, inicialmente, seria um brinde auto-promocional. O sucesso foi tanto que tornou-se necessária a produção em escala comercial, realizada junto à editora BIS Publishers. Sob o sugestivo título "The quick brown fox jumps over the lazy dog" – frase que necessita de todas as letras do alfabeto para a sua construção – a brincadeira é composta por 25 pares de cartas, sendo que cada unidade representa uma família de tipos. Além disso, há um glossário com termos técnicos e um texto sobre o desenvolvimento da tipografia ao longo do tempo, contextualizando o surgimento das fontes utilizadas no jogo.



Imagens: divulgação

Extras:
O download da embalagem, assim como fotos do making of, textos sobre tipografia e explicações sobre como jogar estão disponíveis no site da ps.2 arquitetura+design.
Esse projeto foi vencedor no Red Dot Award: Communication Design 2009 e também nomeado para o Designpreis Deutschland 2011.

Serviço:
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