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Mistura de Épocas



O Japão é um caso a parte. Em meio às novidades tecnológicas mais incríveis passeiam pelas calçadas mulheres em trajes idênticos aos das geishas que viveram há alguns séculos. Essa é apenas uma entre as milhares de imagens que mostram como passado, presente e futuro convivem naquele país. Outro bom exemplo é o ilustrador Hisashi Tenmyouya. Nascido em Tóquio, na década de 60, combina cultura milenar com elementos atuais. Tatuagens, samurais e lendas históricas são coordenados com personagens de mangás e esportes. Ele considera seu estilo uma releitura do Nihonga, tipo de pintura tradicional que utiliza pigmentos minerais e carvão.







Imagens: reprodução

Reforçando a lista de paradoxos orientais, mesmo vivendo entre tanta modernidade, a sociedade parece ser muito conservadora. Talvez seja por isso que Hisashi não tenha uma fama das melhores por lá, afinal, subverte técnicas artísticas consideradas "puras".

Acessório sob a Pele


Sentindo na pele das minhas pernas o processo
Imagem: Acervo histórico do Binóculo


A moda pode dar pistas sobre a identidade de uma pessoa. Roupas e acessórios representariam um pouco da personalidade de quem os carrega. Alguns adereços, como brincos e pulseiras, também fazem parte desse jogo e tantas vezes são substituídos ou até mesmo deixados de lado com o tempo. E quando o enfeite não pode ser trocado assim tão facilmente? É o caso de uma tatuagem.

Alguns se submetem ao processo – nada fácil, por sinal – apenas por estética. Outros para representar alguma etapa de suas vidas. Seja qual for o motivo, o resultado é uma marca permanente, a não ser que você queira gastar uma fortuna para sofrer no laser e trocar o arrependimento da tinta por algumas manchas no corpo.

Por isso, após acrescentar cores à pele, é preciso saber coordená-las ao restante da produção? Conversei com duas estudantes de estilismo e uma tatuadora. Na balança, a opinião de quem se preocupa com moda e a de quem é mais desencanado. Com qual delas você se identifica?

Juliana Garcez

Juliana apostou em simetria e contraste
Imagem: Studio

A estudante de moda e ilustradora que fez os croquis do nosso primeiro vídeo realizou o esboço do seu próprio desenho, que foi adaptado para uma linguagem mais adequada à tatuagem pelo profissional que estampou a sua pele. Juliana acredita que suas tattoos interferem nas suas produções diárias. “Além de uma carteira de identidade, é um produto de moda. Desde que fiz, penso nelas em todos os looks, se quero ou não que fiquem em evidência. Acredito que tatuagens muito coloridas, como as minhas, requerem um outro cuidado: o de não exagerar nas estampas das roupas”. Concordo, amiga, carnaval só funciona em fevereiro.

Eliza “Liza” Mendes

Feminilidade: elementos de maquiagem em estilo old school no braço. Âncoras, laços e cinta-liga caveira em processo na perna. Fé: Mateus, referência ao livro bíblico também na perna
Imagem: Studio

Ela começou a saga das cores aos 18 anos e não pretende parar tão cedo. A estudante de moda busca adicionar elementos femininos às suas tatuagens. “Gosto de vintage, então o que me chama a atenção é o estilo tradicional, old school. As pin ups fazem parte desse período, e acabo influenciada tanto na composição dos desenhos quanto nas minhas produções”. Mas Liza não faz a extravagante, ela é básica. “No máximo uso uma onça ou um xadrez”, comenta, mas para o que vai fazer na pele, assim como eu, gosta de muita cor. Também parece ser uma forma de balancear o look com as tattoos.

Ana Mendes

Filosofia de vida: straight edge nos pulsos e vegan pride na coxa com caveira chicana. Old school: âncora e andorinhas tradicionais. Na panturrilha, sua favorita em processo
Imagem: Studio

Irmã de Liza. Já pensaram em ter um estúdio, mas a moda falou mais alto e o posto de tatuadora ficou apenas para a Ana, que leva ao pé da letra a cultura da modificação corporal. Não é muito ligada à moda, não se preocupa em combinar roupas com as tatuagens, mas acaba recebendo alguma informação de Liza. Assim como a irmã, é fã de old school e dos temas pin ups, marinheiras, caravelas, caveiras e rosas. Pretende seguir a carreira de tatuadora e diz que o que exibe na pele é muito representativo. “Minha maior e mais bonita, na perna, tem um significado que eu considero o mais importante: a minha vida, vivê-la intensamente e ser forte até o fim”. Se joga!

Serviço:
Para tatuar por aqui, eu indico:
Omoko
Tattoo Network

Ilustração: A Velha Escola de Rik Lee


Rik Lee é um ilustrador australiano que vive em Melbourne. Com forte inspiração na estética old school, mescla seu traço suave - que lembra ilustração de moda - com o universo da tatuagem. No processo criativo entram aquarelas, texturas, pincéis, computador, elementos da cultura pop, os próprios deadlines e bureaus de meteorologia (oi?!). Já foi publicado em revistas como Nylon e Vice Australia. Entre as suas metas estão desenhar mais, cobrir boa parte do corpo com tattoos e ter mais carimbos em seu passaporte. Objetivos muito semelhantes aos deste que escreve.











Imagens: reprodução

Conheça melhor trabalho de Rik Lee em seu "blogfolio".