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Conversa com Moema



Uma boa entrevista começa ao elaborar as perguntas. Estudar quem vai respondê-las, sua vivência, o que já foi dito e aplicar novos olhares a esse material é o mínimo que se espera para que o texto não caia no razo “Oi, qual é o seu nome e o que você fez até aqui? Tchau, obrigado.”

Fizemos nosso “dever de casa” para a conversa com a empresária e curadora do Minas Trend Preview Moema Breves. Ao chegar, uma fita métrica gigante e amarela que enfeita a fachada da sua loja, a Nonfashion, era a primeira pista de que essa não seria uma entrevista comum.

Moema surge simpática, sorriso aberto, e nos apresenta seu espaço, que é muito mais que um comércio. Durante o dia, a Nonfashion é um lugar moderno em que roupas e acessórios de design compõem o espaço com objetos vintage. “Não posso passar perto de um antiquário, senão, gasto tudo o que tiver!”, brincou. Durante a noite, a casa transforma-se na Nonsense, um ambiente para festas particulares. E a proposta tem dado certo. “Estou com todos os finais de semana fechados até o final do ano”, destacou.

Ambientados, partimos para a conversa. E nenhuma pergunta, nos moldes que levamos, foi feita. Não precisou. A entrevista virou um bate-papo tão fluído que, somado à experiência da visita, tornou tudo muito mais rico em detalhes. O que aconteceu captou melhor o perfil de Moema que cinco ou seis questões. “Não gosto de cair no comum. O meu espaço mesmo tem esse diferencial, não é uma loja como as outras”, comentou.

Essa forma de pensar caracteriza aqueles que buscam ser um referencial. “Quero ter o que passar para as pessoas. Prefiro ser alguém que influencia, que tem uma história”.



Imagens da Nonfashion. Clique para Vê-las ampliadas


Fluxo Genuíno

A história de Moema com a moda começou aos 14, como modelo, mas, desde aqueles tempos, para ela, a área poderia ir muito além das roupas. Chegou a cursar Direito, mas acabou voltando às origens, porém num viés mais empreendedor. Esse caminho trilhado conferiu a ela um olhar amadurecido, diferenciado. Tanto que, quando surgiu o assunto “tendência”– palavra mais chata, porém tão presente – Moema foi rápida em se posicionar. “Complicado uma pessoa comprar algo porque ‘tá usando’ sem saber se aquela peça tem a ver com ela, com seu estilo, com a sua vida. Se podemos dizer que existe uma tendência, penso que é ser genuíno, ter uma identidade própria”.

Ainda destacando a importância da autenticidade, Moema toca num outro ponto presente no processo criativo de muitos. “Não acredito em inspiração por referência. Fico me perguntando como alguém consegue? Acho que é um momento interno, pessoal. E penso que, quando a ideia ‘vem de dentro’, toda a criação fica muito mais fácil porque foi você quem deu início”.

A conversa seguia quando uma amiga veio visitá-la, a Carol, que foi naturalmente incorporada à nossa mesa. Horas depois, chegam seu marido e filha. Durante todo o tempo, a loja recebia clientes, e Moema dividia as atenções com a agilidade de quem opera uma balança sem deixar pender mais para um lado que para o outro. Equilibrada. E na saída, se despedia de todos com um simpático “até já!”, que soa como um convite para um breve retorno. Sim, voltaremos.